I
A árvore cai.
Relâmpago rói o céu.
Feliz tormenta
II
Descanço ao Sol,
Calma dos raios de luz.
Ah, é bom dormir!
III
Relva cresce bem
Ao sabor do vento vou.
Sigo a verdura.
IV
Grilo paciente,
Só cantarás à noite.
E cantar-me-ás.
V
Morte próxima
De uma seca rosa...
Morrerás bela
VI
Mar infinito.
Graça das profundezas.
Beleza mortal.
Textos recuperados de Artur Sampaio
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Voo
Olhando para a suprema serra,
Como me apetece voar!
Quero rebentar em sensação
Do que existe,
Natural,
À minha volta...
Em suma...
Quero viver, apenas!
Vive também,
Livre de tudo o que se pensa,
Porque te oprime,
Porque te repreende,
E afasta o teu corpo da vida!
Junta-te ao que é magnífico,
Aos gigantes poderosos
Destas divinas serras,
Tão divinas como toda a realidade!
Ah, como é bom
Ver que toda a Natureza assim é!
Vem viver comigo,
Voando nos ares que sentes,
Porque assim mesmo se vive,
Não nas correntes de pensamento,
Que são opressoras e deprimentes!
Voemos juntos, eu e tu!
Como me apetece voar!
Quero rebentar em sensação
Do que existe,
Natural,
À minha volta...
Em suma...
Quero viver, apenas!
Vive também,
Livre de tudo o que se pensa,
Porque te oprime,
Porque te repreende,
E afasta o teu corpo da vida!
Junta-te ao que é magnífico,
Aos gigantes poderosos
Destas divinas serras,
Tão divinas como toda a realidade!
Ah, como é bom
Ver que toda a Natureza assim é!
Vem viver comigo,
Voando nos ares que sentes,
Porque assim mesmo se vive,
Não nas correntes de pensamento,
Que são opressoras e deprimentes!
Voemos juntos, eu e tu!
Ode ao amor
Canto uma ode
Ao amor e à família,
Mesmo não sendo amor ao mesmo sangue,
Canto o amor a todas as vidas!
Seja ele sereno ou selvagem,
Que importa ao amor?
Tens só que vivê-lo,
Porque só assim o viver e amar,
Só assim são bons de se fazer.
Ama tudo!
Porque tens que o fazer!
Ama o sangue que tens,
Ama o sangue do teu sangue,
Ama o sangue que não é do teu sangue!
Ama até aquilo que não tens,
Seja isso orgânico ou não...
Ama tudo!
Não te assustes se não amares,
Faz tudo parte de viver.
Ao amor e à família,
Mesmo não sendo amor ao mesmo sangue,
Canto o amor a todas as vidas!
Seja ele sereno ou selvagem,
Que importa ao amor?
Tens só que vivê-lo,
Porque só assim o viver e amar,
Só assim são bons de se fazer.
Ama tudo!
Porque tens que o fazer!
Ama o sangue que tens,
Ama o sangue do teu sangue,
Ama o sangue que não é do teu sangue!
Ama até aquilo que não tens,
Seja isso orgânico ou não...
Ama tudo!
Não te assustes se não amares,
Faz tudo parte de viver.
Memórias
Nunca me dei a guardar nada,
E não o faças tu também!
Não vale a pena, não vês?
Para quê as memórias?
Vive o presente, o agora!
É assim que se vive!
Deixa passar o tempo, não lhe dês importância!
Deixa o passado, apenas!
E não o faças tu também!
Não vale a pena, não vês?
Para quê as memórias?
Vive o presente, o agora!
É assim que se vive!
Deixa passar o tempo, não lhe dês importância!
Deixa o passado, apenas!
Orgasmos filosóficos
Os orgasmos filosóficos dos Homens,
Esses não me satisfazem a mim.
São explosões carnais, tanto quanto
São reais e metafóricas...
Mas são mais falsas que reais,
Não existem as satisfações mentais,
Por isso nelas não acredito.
É ingénuo e infeliz,
Querer fazer filosofia, e arranjar
Satisfação sexual no pensamento,
Ou quase sexual,
Como um triste filósofo,
Que morre sem encontrar vida.
No interior não tens que aprender,
Rende-te ao mundo,
Porque não tens nada a perder!
Tens a ganhar, acredita.
Vais viver feliz, assim,
Ao deixar para trás o interior
E definir-te naturalmente.
Esses não me satisfazem a mim.
São explosões carnais, tanto quanto
São reais e metafóricas...
Mas são mais falsas que reais,
Não existem as satisfações mentais,
Por isso nelas não acredito.
É ingénuo e infeliz,
Querer fazer filosofia, e arranjar
Satisfação sexual no pensamento,
Ou quase sexual,
Como um triste filósofo,
Que morre sem encontrar vida.
No interior não tens que aprender,
Rende-te ao mundo,
Porque não tens nada a perder!
Tens a ganhar, acredita.
Vais viver feliz, assim,
Ao deixar para trás o interior
E definir-te naturalmente.
Pensamento
Corro energicamente de pensar,
Da angústia da filosofia...
Faz-me triste,
É deprimete, vida!
Não penses,
Escreve simplesmente,
Versos de campo e beleza!
Temos flores e rica fruta
Na alma viva,
Que sobe mais alto que as árvores,
Mas que nunca existe não física.
"Vem viver", chama a vida, que vivo porque sim.
Da angústia da filosofia...
Faz-me triste,
É deprimete, vida!
Não penses,
Escreve simplesmente,
Versos de campo e beleza!
Temos flores e rica fruta
Na alma viva,
Que sobe mais alto que as árvores,
Mas que nunca existe não física.
"Vem viver", chama a vida, que vivo porque sim.
Comer
Servem-me uma refeição,
E que bom é comer!
E maravilha do palato descubro!
Dentada após dentada,
Libertam-se Valhalas e Olimpos na minha boca!
Divina refeição, feita por
Divino mundo, que a concebeste!
E que bom é comer!
E maravilha do palato descubro!
Dentada após dentada,
Libertam-se Valhalas e Olimpos na minha boca!
Divina refeição, feita por
Divino mundo, que a concebeste!
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