quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Viajo

Viajo,
Estou a viajar, e
Divirto-me viajando.
Nada, não...
Nada como as vistas!

Atravessar o mundo é descobrir,
Descubro que estou em todo o lado,
Descubro que todos os sítios me pertencem.
Vejo que há parte de mim em cada planície,
Mas isso não fragmenta o que sou.
Enfim, há um eu em tudo e há profundidade no pensamento.

Observação é uma psicanálise exterior,
Exterior, que não me tormenta,
Não deixo que o faça.
Não me preocupo,
Não questiono.

Aprendo, apenas,
Para depois adicionar ao que já sou,
Pois o natural é a descoberta do sentido concreto.

Vento

Num dia ameno,
Há o suave sussurrar do ar,
Há muito que se lhe diga, mas
Há pouco ou nada que nos diz.

O ar rodeia todas as coisas,
Corre por tudo o que vive.
Sente-o!
Sente-o, mas não lhe fales!

Estás na calma que refresca verões,
Estás na furia que destrói cidades!

Que beleza!
Há beldade numa brisa,
Há beleza num tornado,
É a excelência de existir,
Ser, e ter em si toda a calma e força
Do mundo.

Apaga a filosofia das correntes de ar, e
Esquece o simbolismo dos murmúrios do vento!

Caminho, andando

Caminho, andando
Ando, caminhando pela rua
Caminhando na rua,
Não caminho na vida,
Não penso na vida.

Sinto a Natureza,
Absorvo tudo à minha volta.
Vivo todas as coisas,
Coisas boas?
Coisas más?
Não! Coisas, apenas...
É tudo o que existe.

A moral é uma prisão,
A moral é nada, quando não importa a mente.

Tudo...
É isso que quero.
Intensidade...
Quero sentir tudo sem saber o que sinto.

Ode às tempestades

Há uma tempestade lá fora, no mar,
Há uma tormenta cá dentro,
Cá dentro, em tudo o que vive,
Há uma fúria de viver...
Rugem as ondas destrutivas!
Grita a alma eufórica!

Estou no abismo, à beira a falésia,
Imagina!
Enfrenta a ira do mar!

Como é lindo, o furioso azul,
Azul, agora cinzento pela morte.

Roxos, gelados, morremos neste poder,
Poder que arrasta na força sedutora!
Poder que dá vida na sua mística!
Haverá mais lindo que esta concreta força?

A Natureza ao rubro...
Temem-na!
Fogem!

A tempestade avança...
Vive!
Encara-a! Vive morrendo intensamente!
Que brutalidade!
Que fantástica beleza!
Que orgásmica destruição!

É o fim da vida que me dá razão de viver!

Quão magnífica, esta brilhante água!
O meu deus, este genocídio marítimo!
A intensidade nunca foi tão brilhante,
A fúria destas catástrofes nunca deixa nada...
Destrói-te na fúria e no frio, nada há mais belo!

Sozinho,
O concreto, comigo mesmo.
Existo, então
Nunca me sinto só,
Porque sou parte de mais que eu!

Eu sou eu!
Eu sou eu mesmo,
Não pensado, e a natureza,
E o mundo,
E tudo o que existe.
Sou tudo o que se cria.
Sou tudo o que se desenvolve.

Como é possível sentir-me sozinho?
Olho à volta e
Estou na companhia de mim mesmo.

Encontro tudo em mim,
Mas só encontrando-me em tudo,
Coisas humanas, coisas naturais...
É isso que sou eu, estar sozinho é estar com isso!

E quanta companhia está aqui,
Em tudo o que é criado!
Pertencer a tal conjunto...
Ser um com as naturezas!
Ser esse conjunto...
Ser todas as naturezas!

Grito mais alto, no eco das montanhas:
"Isto é que é ser eu!"

Grito mais alto, nas paredes das fábricas:
"Isto é que é tudo o que sou!"

Tudo o que existe me faz companhia.
Não há tristes momentos,
Não há solitários poemas,
Não há profunda reflexão.

Há o coletivo da Natureza,
Há o singular da Humanidade.
Há criação que me escorta toda a vida!

Tudo o que existe acompanho, a solidão não existe

Destrói-me

Queima-me!
Pega em tudo o que escrevi,
Poemas, histórias...
Queima tudo!
Desfaz-me!
Explode-me!
Não quero pensar em nada!
Não quero ser pensado...
Não exijo ser interpretado...

Mas quero sair com fúria!
Quero lembrar-me morto, com força imensa.
Não no que pensei,
Mas apenas puramente fui.

Não quero pensar,
Quero viver, mas...
Viver a sério!
Viver intensamente, e
Morrer da mesma maneira!
Nem os nórdicos!
Nem eles fariam tal estrondo!

Que se destrua o que faço e penso,
Porque não sou o que faço...
Queima a metafísica!
Explode o pensamento!

Não me deixes ser definido,
Definido pelo que pensam do que escrevo!

Oiço ao longo da noite e ao longe.
Oiço-os...
Os foguetes e as explosões!
Como anseio a morte!
O funeral na explosão cremada do meu ser!

Isto sim é beleza!
Não é algo que leve trabalho à alma.
Nada devia levar trabalho à alma...
Vive da euforia de sensações, porque a alma não existe!

Explode o que eu sou e explode contigo mesmo!
Nada como o estrondo da destruição!
Dois seres sem alma destruídos no belo e concreto!

Guerra

Imaginem-se exércitos..
Quando poder!
Quanto querer...
Querer de apenas alguns,
Usando outros para realizar seus méritos...
Há, contudo, beleza nuns, que
Querendo mudança estabelecer,
Desafiam a História cantada por peritos.

Gigantes ideias!
Enormes multidões!
Grandes terramotos!
Frenéticas, fantásticas, famintas multidões!
A força sedutora da guerra!
Como não se resiste?!

Conquistas conseguidas, contrastando carisma!
Maravilhosa morta motivada mutuamente!
No campo de batalha, buscando a vitória!

Humana morte após humana morte...

Fúria animalesca, dá um amor à vida!